TED é o site de um projeto veiculado pelo slogan "Ideas Worth Spreading" que começou como uma convenção sobre Tecnologia, Entretenimento e Design,em 1984, e, hoje, tomou dimensões muito maiores reunindo as principais mentes de todas as áreas que, segundo o site, são desafiadas a dar a "palestra de suas vidas". Todos os dias, pela manhã, eu assisto um vídeo do TED como uma forma de iniciar meu dia com uma reflexão. Um dos meus temas favoritos é "Unconventional Explanations" (Explicações pouco convencionais), e na semana passada assiti um vídeo que me fez pensar muito e tem tudo a ver com o tema desse blog.
Assista aqui
Dan Ariely coloca alguns conceitos importantes sobre como nossa moral se define.
Em primeiro lugar, gostaria de ressaltar que a pesquisa dele foi feita no MIT nos EUA e que, portanto, pode ter alguma interferência da cultura local predominante. Tendo dito isto, também gostaria de colocar que os conceitos que me chamaram mais atenção, me parecem ter a mesma validade por aqui, mas essa é apenas a minha humilde opinião.
A primeira coisa foi que se a uma pessoa for dada oportunidade de trapacear, ela vai trapacear na medida em que se sinta confortável com a "trapaça", ou seja, que a trapaça lhe confira benefícios, mas não diminua a imagem que ela tem dela mesma.
A segunda é que a probabilidade de ela trapacear aumenta se ela perder o medo das consequências ou se ela sentir que de alguma maneira a trapaça dela é "menor" do que a "trapaça" que ela vê a seu redor.
A terceira é que a probabilidade de ela trapacear diminui se ela se sentir de alguma forma moralmente comprometida com a situação, se a "trapaça" colocá-la em uma posição de igualdade com algo com que ela não quer ser associada ou se ela for lembrada de um código moral que a proiba de trapacear.
Agora, imagine as implicações culturais que isso tem no Brasil!
Se vivemos em uma sociedade cuja cultura vigente é não se ver problemas em trapacear um "pouquinho", e que até dá um nome a isso, o famoso "jeitinho"; uma sociedade em que a lei existe, mas para a maioria da população as consequências de se desrespeitar a lei são quase nulas ou levam muito tempo; O que impede que as pessoas sejam desonestas? Sobra apenas um fator que impediria as pessoas de serem desonestas, a "imagem" que elas têm delas mesmas. O que te impede de fazer algo desonesto? O fato de você achar que aquilo te cololoca em uma posição de igualdade com algo com que você não quer ser associado, só. Então, se a sociedade como um todo cultiva pequenos hábitos desonestos e cultua modelos de desonestidade ou 'amorais', algumas contravenções simplesmente não farão com que você se sinta mal a seu respeito. Dessa forma, podemos concluir que vivemos em uma sociedade que 'deseconraja' deliberadamente a moral.
Pais, professores e líderes têm muito o que considerar sobre os fatores acima. Se fossem implantados códigos morais nas escolas, se fosse criada uma cultura de punição real pelas contravenções, se fosse apresentado um modelo 'amoral' com o qual as pessoas não quisessem se ver associadas, será que isso contribuiria para a moralidade geral da nossa nação? É algo a se testar!
Um ponto bastante interessante é as implicações disso quando se contrasta a nossa cultura com outras formas de ver o mundo, muitos brasileiros sofrem muito com essa questão da moral quando vão morar em outros países. Pelo fato de algumas sociedades verem pequenas trapaças, que vemos como sinal de "esperteza", como "desonestidade", muitas vezes, a nossa "esperteza" lá fora nos leva a sermos pessoas às quais os outros não querem se ver associados. Nossa atitude 'moralmente flexível', pode nos tornar um fator até de elevação da moralidade alheia, o que nos afasta ainda mais daquelas pessoas. Fazemos de nós mesmos os modelos do que 'não se quer ser'.
E se fizessemos o inverso? E se nossa atitude 'correta' pudesse servir de 'lembrança' para os outros de um modelo ao qual eles querem ser associados? Será que esse não é o apelo de tantas dessas personalidades mundialmente cultuadas como Jesus, Ghandi e etc.? Não sei se caso nossos valores transcendessem as barreiras das culturas seríamos amados e aceitos em qualquer lugar, mas existem suficientes provas no mundo de que seríamos, no mínimo, notáveis.
terça-feira, 24 de março de 2009
segunda-feira, 23 de março de 2009
Diário de uma Exploradora Parte IV
Querido Diário,
Tenho me esforçado para postar constantemente no meu blog e manter os assuntos interessantes para atrair mais leitores. Confesso que as idéias vêm fácil, mas o tempo é curto e às vezes escrevo sem editar, releio meus textos depois e fico "PUTZ!" Enfim...
Gostaria de deixar registrado, para não perder o fio da meada, que aprendi a postar imagens e links. Meus "leitores" mais assíduos já devem saber disso, mas vou registrar aqui como se faz, para o caso de alguém se encontrar orbitando nessa imensa blogsfera e acabar por cair aqui sem rumo...
Para postar imagens, aqui no blogger, você clica no quadradinho que parece que tem o desenho de uma paisagem, depois do abc e antes do filmezinho, aqui mesmo, ali em cima. Daí se a imagem for do seu computador, é só achar clicado em procurar e se ela for de algum site é só copiar a URL da imagem e colar no espaço apropriado. Imagem selecionada, você escolhe o layout (esquerda, direita, centralizado,nenhum) e o tamanho (pequena, média ou grande) e clica em "fazer o upload da imagem". Na minha 'vstíssima' experiência, quando você ele diz que já iseriu a sua image, ela geralmente se encontra lá em cim, antes do post que você está escrevendo. Se isso acontecer com você, recorte todo aquele código e coloque aonde vocÊ quiser no post. Pronto. Eu queria por imagens das páginas aqui conforme fosse explicando, mas isso eu ainda não sei fazer...
Para postar links, eu aprendi um procedimento padrão que você pode até copiar e colar daqui, tem que digitar sempre a mesma coisa, entre < >, mas vou digitar aqui em duas partes porque não consigo fazer sem criar um link! A primeira parte é sempre a href="URL"> Aonde está escrito URL, você copia e cola o endereço mesmo, que fica lá na linha do seu navegador, Tipo: http://culturacraze.blogspot.com, sem aspas.
A segunda parte fica assim: Nome (< Traço inclinado para direita a) No lugar aonde escrevi Nome, você escreve o que quer que apareça no seu texto tipo "Clique aqui" ou "CULTURACRAZE". Faça as duas partes numa linha só, sem espaços, abra com < e feche com >, voi lá! Você tem um link! Assim: CULTURACRAZE
Continuo acompanhando firmemente os poucos blogs a que me propus e tentando buscar outros... No mais, acho que estou chegando na fase da Minimização , ou talvez ainda nem tenha saído da Negação , nem me sinto muito diferente desses blogueiros, acho que somos todos iguais, que já levo jeito para a coisa, enfim... O verdadeiro choque cultural está a espreita! : O
Até a próxima!
Tenho me esforçado para postar constantemente no meu blog e manter os assuntos interessantes para atrair mais leitores. Confesso que as idéias vêm fácil, mas o tempo é curto e às vezes escrevo sem editar, releio meus textos depois e fico "PUTZ!" Enfim...
Gostaria de deixar registrado, para não perder o fio da meada, que aprendi a postar imagens e links. Meus "leitores" mais assíduos já devem saber disso, mas vou registrar aqui como se faz, para o caso de alguém se encontrar orbitando nessa imensa blogsfera e acabar por cair aqui sem rumo...
Para postar imagens, aqui no blogger, você clica no quadradinho que parece que tem o desenho de uma paisagem, depois do abc e antes do filmezinho, aqui mesmo, ali em cima. Daí se a imagem for do seu computador, é só achar clicado em procurar e se ela for de algum site é só copiar a URL da imagem e colar no espaço apropriado. Imagem selecionada, você escolhe o layout (esquerda, direita, centralizado,nenhum) e o tamanho (pequena, média ou grande) e clica em "fazer o upload da imagem". Na minha 'vstíssima' experiência, quando você ele diz que já iseriu a sua image, ela geralmente se encontra lá em cim, antes do post que você está escrevendo. Se isso acontecer com você, recorte todo aquele código e coloque aonde vocÊ quiser no post. Pronto. Eu queria por imagens das páginas aqui conforme fosse explicando, mas isso eu ainda não sei fazer...
Para postar links, eu aprendi um procedimento padrão que você pode até copiar e colar daqui, tem que digitar sempre a mesma coisa, entre < >, mas vou digitar aqui em duas partes porque não consigo fazer sem criar um link! A primeira parte é sempre a href="URL"> Aonde está escrito URL, você copia e cola o endereço mesmo, que fica lá na linha do seu navegador, Tipo: http://culturacraze.blogspot.com, sem aspas.
A segunda parte fica assim: Nome (< Traço inclinado para direita a) No lugar aonde escrevi Nome, você escreve o que quer que apareça no seu texto tipo "Clique aqui" ou "CULTURACRAZE". Faça as duas partes numa linha só, sem espaços, abra com < e feche com >, voi lá! Você tem um link! Assim: CULTURACRAZE
Continuo acompanhando firmemente os poucos blogs a que me propus e tentando buscar outros... No mais, acho que estou chegando na fase da Minimização , ou talvez ainda nem tenha saído da Negação , nem me sinto muito diferente desses blogueiros, acho que somos todos iguais, que já levo jeito para a coisa, enfim... O verdadeiro choque cultural está a espreita! : O
Até a próxima!
domingo, 22 de março de 2009
Política de Privacidade
A autora deste blog não se responsabiliza pelos comentários de terceiros aqui publicados.
Este blog utiliza empresas de publicidade de terceiros para veicular anúncios durante a sua visita a ele. Essas empresas podem usar informações (que não incluem o seu nome, endereço, endereço de e-mail ou número de telefone) sobre suas visitas a este e a outros websites a fim de exibir anúncios relacionados a produtos e serviços de seu interesse. Para obter mais informações sobre essa prática e saber como impedir que as empresas utilizem esses dados clique aqui .
Este blog utiliza empresas de publicidade de terceiros para veicular anúncios durante a sua visita a ele. Essas empresas podem usar informações (que não incluem o seu nome, endereço, endereço de e-mail ou número de telefone) sobre suas visitas a este e a outros websites a fim de exibir anúncios relacionados a produtos e serviços de seu interesse. Para obter mais informações sobre essa prática e saber como impedir que as empresas utilizem esses dados clique aqui .
sexta-feira, 20 de março de 2009
Dicas de Comportamento
Finalmente um post light e curtinho no CULTURACRAZE ! Esse post é para sugerir um site que descobri hoje e parece bem interessante para os viajantes e curiosos de plantão. É o Fasten Seatbelts , que tem um monte de dicas de como se comportar em diversos países da Europa.
Gostei bastante das curiosidades na sessão "linguagem corporal" que dá dicas do tipo: mostrar a sola dos sapato para alguém é considerado desrespeitoso na Turquia, e na Itália se bate no ferro e não na madeira para espantar o azar... enfim! A tradução é meio tosca, mas as dicas são interessantes!
Boa leitura!
Gostei bastante das curiosidades na sessão "linguagem corporal" que dá dicas do tipo: mostrar a sola dos sapato para alguém é considerado desrespeitoso na Turquia, e na Itália se bate no ferro e não na madeira para espantar o azar... enfim! A tradução é meio tosca, mas as dicas são interessantes!
Boa leitura!
Adapatção Cultural
O assunto mais recorrente quando se fala em viver fora do país é a adaptação cultural. Muita gente acha que é um processo que tem que ocorrer, e ocorre, naturalmente quando se vai viver em outro país. Muitos ainda, também acreditam que qualquer pessoa que viva em algum país por um número X de anos, tenha um trabalho, um lugar para viver e amigos está adaptada e pode ser considerada um "entendedor" da cultura em que se inseriu. Em contrapartida, é costume também pensar que quem simplesmente viaja por um período curto de tempo para algum país não tem como saber muito sobre sua cultura. Está na hora de esses paradigmas caírem!
Hoje, li um texto muito interessante Validity Issues in Translating Instruments Acros Languages and Cultures: Exploring the Paradox of Differing Cultural Perspectives on Intercultural Sensitivity by Dr. Joe Greenholz ,sobre como se traduzir instrumentos de avaliação não só de uma língua para a outra, mas de uma cultura para a outra. O texto é muito interessante, mas longo e seu conteúdo na íntegra não vem ao caso, no entanto, ele cita um estudioso das relações interculturais, George Kelly, que diz:
"A person can be witness to a tremendous parade of episodes and yet, if he fails to keep making something out of them…he gains little in the way of experience from having been around when they happened. It is not what happens around him that makes a man (sic) experienced; it is the successive construing and reconstruing of what happens, as it happens, that enriches the experience of his life"
("Uma pessoa pode ser testemunha de um vasto repertótio de acontecimentos e, no entanto, se ela falhar em refletir sobre eles...ela ganha muito pouco com a experiência de ter estado presente enquanto eles aconteciam à sua volta. Não é o que acontece ao seu redor que torna um homem experiente; é a construção e reconstrução sucessiva dos acontecimentos, conforme eles ocorrem, que enriquece a experiência da sua vida")
No referido texto, o autor argumenta que o fato de uma pessoa estar presencialmente em outra cultura, não significa que ela será capaz de refletir e gerar conhecimento cultural a partir das experiências que está vivenciando. O que determina seu aprendizado é a reflexão. Esse sempre foi meu argumento ao justificar o trabalho de preparação cultural que fazemos na [ex]CHANGE Treinamento Cultural , estou cansada de ver pessoas que moram anos fora do país e voltam com frases do tipo "Esses gringos são todos porcos!", "Nossa as pessoas lá são muito frias, não dá para viver lá não!". Sempre me perguntei, como uma pessoa capaz de cunhar uma frase peconceituosa dessas pode se entitular "cidadão do mundo"? Como uma pessoa que tem a oportunidade de viajar o mundo todo pode voltar ao país e dizer que não há lugar como o Brasil, sem especificar em que quesito? O Brasil é o melhor em tudo?! Quem viaja o mundo e afirma isso, obviamente, não viu o mundo!
Existe uma teoria sobre o processo de adaptação cultural, quem quiser ler o texto que citei acima, ele explica um pouco do que essa teoria quer dizer e apresenta o seguinte resumo:

Essa teoria propõe que a maneira como essas fases vão se apresentar varia de acordo com o grau de diferença da cultura original para a cultura em que se está inserindo e nas particularidades do contexto, mas essencialmente o processo de adaptação segue os seguintes passos:
Negação: Fase em que se nega que as diferenças existam, até ainda por falta de contato real com a cultura. Isso ocorre quando a gente chega, não entende bem o que dizem, você é visitante, trata tudo e todos e é tratado como tal e não consegue "perceber" nada estruturalmente diferente.
Defesa: É a fase em que começamos a nos surpreender e indignar com as diferenças, defendendo nosso ponto de vista a qualquer custo! "O cara não me liberou para ir buscar o dinheiro que estava no mee escritório ao lado! Que falta de consideração! No Brasil as pessoas são mais humanas, aonde já se viu!"
Minimização: Esse é o momento em que a gente foca no que é parecido, e tenta ignorar o que é diferente como uma foma também de não mudar.A diferença principal dessa fase em relação à da defesa é que a indignação não é mais tão constante.
Aceitação: Essa é a fase em que a maioria das pessoas pára, mesmo após morar muitos anos fora, e acreditam que estão adaptadas porque entendem e aceitam que existam diferenças. "Eles são diferentes mesmo", "Ah, aqui eles são assim!"
Adaptação: Nesse momento a pessoa passa a faze da aceitção, e passa a entender; a maneira daquelas pessoas pensarem faz todo sentido para elas naquele contexto e desse entendimento advém a capacidade de interagir no mesmo nível.
Integração: Esse passo pode levar uma vida, e o indivíduo que o alcança geralmente é aquele indivíduo que chegou a um nível de entendimento de outras culturas tão cmplexo que ele não só aceita, entende e é capaz de se comunicar de acordo com valores culturais distintos, mas ele passa a incorporar valores de outras culturas. Esse passo só é alcançado mediante muita reflexão e é o passo que forma os verdadeiros cidadãos do mundo. São pessoas que não precisam negar nem defender sua própria cultura para interagir com outras culturas e podem transformar suas oportunidades de interação cultural em oportunidades também de entendimento e até, porque não, integração de valores ao mosaico cultural que se torna o seu referencial.
A boa notícia para os que não tem a oportunidade de viver fora é que o segredo de ser um "cidadão do mundo" não está na duração da experiência, mas ao valor atribuído a ela através da reflexão e deliberação consciente.
A má notícia para expatriados que pensam ou pensaram que adapatção ocorre naturalmente, é que a experiência intercultural mal conduzida pode ser tão danosa à vida de uma pessoa quanto qualquer outra experiência impensada e irresponsável.
A lição que fica da adaptação é que entendimento cultural nãoé "insight", é fruto de constantes reflexões e revisões. ANos após o término de uma experiência, ainda se pode aprender muito com ela.
Hoje, li um texto muito interessante Validity Issues in Translating Instruments Acros Languages and Cultures: Exploring the Paradox of Differing Cultural Perspectives on Intercultural Sensitivity by Dr. Joe Greenholz ,sobre como se traduzir instrumentos de avaliação não só de uma língua para a outra, mas de uma cultura para a outra. O texto é muito interessante, mas longo e seu conteúdo na íntegra não vem ao caso, no entanto, ele cita um estudioso das relações interculturais, George Kelly, que diz:
"A person can be witness to a tremendous parade of episodes and yet, if he fails to keep making something out of them…he gains little in the way of experience from having been around when they happened. It is not what happens around him that makes a man (sic) experienced; it is the successive construing and reconstruing of what happens, as it happens, that enriches the experience of his life"
("Uma pessoa pode ser testemunha de um vasto repertótio de acontecimentos e, no entanto, se ela falhar em refletir sobre eles...ela ganha muito pouco com a experiência de ter estado presente enquanto eles aconteciam à sua volta. Não é o que acontece ao seu redor que torna um homem experiente; é a construção e reconstrução sucessiva dos acontecimentos, conforme eles ocorrem, que enriquece a experiência da sua vida")
No referido texto, o autor argumenta que o fato de uma pessoa estar presencialmente em outra cultura, não significa que ela será capaz de refletir e gerar conhecimento cultural a partir das experiências que está vivenciando. O que determina seu aprendizado é a reflexão. Esse sempre foi meu argumento ao justificar o trabalho de preparação cultural que fazemos na [ex]CHANGE Treinamento Cultural , estou cansada de ver pessoas que moram anos fora do país e voltam com frases do tipo "Esses gringos são todos porcos!", "Nossa as pessoas lá são muito frias, não dá para viver lá não!". Sempre me perguntei, como uma pessoa capaz de cunhar uma frase peconceituosa dessas pode se entitular "cidadão do mundo"? Como uma pessoa que tem a oportunidade de viajar o mundo todo pode voltar ao país e dizer que não há lugar como o Brasil, sem especificar em que quesito? O Brasil é o melhor em tudo?! Quem viaja o mundo e afirma isso, obviamente, não viu o mundo!
Existe uma teoria sobre o processo de adaptação cultural, quem quiser ler o texto que citei acima, ele explica um pouco do que essa teoria quer dizer e apresenta o seguinte resumo:

Essa teoria propõe que a maneira como essas fases vão se apresentar varia de acordo com o grau de diferença da cultura original para a cultura em que se está inserindo e nas particularidades do contexto, mas essencialmente o processo de adaptação segue os seguintes passos:
Negação: Fase em que se nega que as diferenças existam, até ainda por falta de contato real com a cultura. Isso ocorre quando a gente chega, não entende bem o que dizem, você é visitante, trata tudo e todos e é tratado como tal e não consegue "perceber" nada estruturalmente diferente.
Defesa: É a fase em que começamos a nos surpreender e indignar com as diferenças, defendendo nosso ponto de vista a qualquer custo! "O cara não me liberou para ir buscar o dinheiro que estava no mee escritório ao lado! Que falta de consideração! No Brasil as pessoas são mais humanas, aonde já se viu!"
Minimização: Esse é o momento em que a gente foca no que é parecido, e tenta ignorar o que é diferente como uma foma também de não mudar.A diferença principal dessa fase em relação à da defesa é que a indignação não é mais tão constante.
Aceitação: Essa é a fase em que a maioria das pessoas pára, mesmo após morar muitos anos fora, e acreditam que estão adaptadas porque entendem e aceitam que existam diferenças. "Eles são diferentes mesmo", "Ah, aqui eles são assim!"
Adaptação: Nesse momento a pessoa passa a faze da aceitção, e passa a entender; a maneira daquelas pessoas pensarem faz todo sentido para elas naquele contexto e desse entendimento advém a capacidade de interagir no mesmo nível.
Integração: Esse passo pode levar uma vida, e o indivíduo que o alcança geralmente é aquele indivíduo que chegou a um nível de entendimento de outras culturas tão cmplexo que ele não só aceita, entende e é capaz de se comunicar de acordo com valores culturais distintos, mas ele passa a incorporar valores de outras culturas. Esse passo só é alcançado mediante muita reflexão e é o passo que forma os verdadeiros cidadãos do mundo. São pessoas que não precisam negar nem defender sua própria cultura para interagir com outras culturas e podem transformar suas oportunidades de interação cultural em oportunidades também de entendimento e até, porque não, integração de valores ao mosaico cultural que se torna o seu referencial.
A boa notícia para os que não tem a oportunidade de viver fora é que o segredo de ser um "cidadão do mundo" não está na duração da experiência, mas ao valor atribuído a ela através da reflexão e deliberação consciente.
A má notícia para expatriados que pensam ou pensaram que adapatção ocorre naturalmente, é que a experiência intercultural mal conduzida pode ser tão danosa à vida de uma pessoa quanto qualquer outra experiência impensada e irresponsável.
A lição que fica da adaptação é que entendimento cultural nãoé "insight", é fruto de constantes reflexões e revisões. ANos após o término de uma experiência, ainda se pode aprender muito com ela.
quinta-feira, 19 de março de 2009
Dicionário, Tradutor e Translation boxes Babylon
O post de hoje é para dar uma dica, como devota fiel da cultura e tradutora, não acredito que traduções automáticas substituam as traduções de uma cabeça pensante, capaz de julgar o contexto de uma frase, escolher entre duas traduções possíveis e etc. No entanto, sei também que traduções humanas podem ser caras e levar tempo, e às vezes tudo o que você precisa é saber o que aquele e-mail está dizendo, ou como se diz aquele termo em tal língua... enfim, quando sua necessidade não é grande o suficiente pra justificar a contratação de um tradutor, a Babylon desenvolveu uma série de ferraments gratuitas que podem ser muito úteis. De onde você estiver, você pode acessar gratuitamente o Tradutor Automático online ou o Dicionário Online .O Babylon oferece traduções e dicionários de inúmeras línguas.
Se você tiver um site ou blog, aí existem Ferramentas ainda mais interessantes. O Babylon oferece caixas de tradução e dicionários específicos de budismo, sonhos, medicina e etc. para que seus leitores possam buscar termos relacionados ao assunto do seu site ou mesmo traduzir o que você disse. Além de ser muito legal, a ferramenta de tradução pode ajudar a dar visibilidade ao seu site porque qualquer gringo que "cair lá de para-quedas" pode traduzir algo do que você disse e se interessar pelo que você tem a dizer. Eu já adicionei alguns dicionários ao meu blog, vale a pena conferir, é tudo gratuito.
Se você tiver um site ou blog, aí existem Ferramentas ainda mais interessantes. O Babylon oferece caixas de tradução e dicionários específicos de budismo, sonhos, medicina e etc. para que seus leitores possam buscar termos relacionados ao assunto do seu site ou mesmo traduzir o que você disse. Além de ser muito legal, a ferramenta de tradução pode ajudar a dar visibilidade ao seu site porque qualquer gringo que "cair lá de para-quedas" pode traduzir algo do que você disse e se interessar pelo que você tem a dizer. Eu já adicionei alguns dicionários ao meu blog, vale a pena conferir, é tudo gratuito.
terça-feira, 17 de março de 2009
"Local" X "Estrangeiro" I
Você já reparou as coisas que a gente faz quando viaja? Dançar em mesa de bar, falar com estranhos, falar português e fingir que não fala a língua local para fugir de uma situação difícil, entrar em lugares que a gente NUNCA entraria em casa, fazer amizade com pessoas que não tem nada a ver com a gente... Na minha opinião,é aí que mora o fascínio de viajar, o distanciamento físico permite que a gente consiga se distanciar mentalmente dos nossos padrões também. A consequência de se sair de um lugar e se libertar da rotina, é libertarmos o nosso espírito, de tal forma que a gente não se obriga mais a se comportar desse ou daquele jeito, seguir essa ou aquela convenção, nem a dieta sobrevive! Os aventureiros de plantão que o digam, a vida do viajante é uma vida viciante porque você pode se reinventar e reinventar suas relações a cada nova parada. A condição para que isso se perpetue, no entanto, é permanecer na estrada. Quando se opta pela vida errante do viajante, você e todos a sua volta são sempre estrangeiros, e não há conflito nisso porque não ter pátria, não ter "sede", é a essência do que significa ser viajante, e é isso que permite que você se reinvente constantemente e sua vida não seja regida pelas convenções "locais".
A maioria das pessoas não consegue escolher essa vida porque precisam pertencer a algo mais restrito do que o "mundo todo". Frequentemente, as pessoas só precisam dessa sensação de liberdade por um curto período de tempo, que lhes permite "recarregar as baterias", e logo já estão prontas para voltar para casa. Existe também uma grande segurança em ser "local", a maioria das coisas podem ser feitas sem muita reflexão ou pensamento, você não precisa redefinir seu lugar, nem a posição que quer ocupar com frequência, seus alimentos prediletos, suas pessoas favoritas, seus hobbies, estão todos a seu alcance e você pode se confortar com a sensação de que a vida segue seu curso e você não precisa ficar traçando a rota de navegação ao longo da viagem.
Assim, escolher entre ser "local" e ser "estrangeiro" é escolher entre o conforto que se sente quando se tem tudo o que se preza ao alcance, e a liberdade de se poder escolher e redifinir o que se quer a cada parada. É também escolher entre ter a segurança de saber o seu lugar naquele "local" e saber exatamente o que se espera de você, e ter o distanciamento de quem pode escolher se quer ou não fazer parte daquele "local".
O motivo pelo qual estou fazendo essas reflexões sobre os conceitos de "local" e "estrangeiro" é porque quero iniciar uma série de posts esmiuçando melhor o assunto. Acredito que quem entende a diferença real entre ser "local" ou "estrangeiro", e qual deles é mais importante em determinado momento, pode decidir a posição que quer ocupar. E, assim, encontrar uma posição confortável, seja ele um "local" ou um "estrangeiro"
A maioria das pessoas não consegue escolher essa vida porque precisam pertencer a algo mais restrito do que o "mundo todo". Frequentemente, as pessoas só precisam dessa sensação de liberdade por um curto período de tempo, que lhes permite "recarregar as baterias", e logo já estão prontas para voltar para casa. Existe também uma grande segurança em ser "local", a maioria das coisas podem ser feitas sem muita reflexão ou pensamento, você não precisa redefinir seu lugar, nem a posição que quer ocupar com frequência, seus alimentos prediletos, suas pessoas favoritas, seus hobbies, estão todos a seu alcance e você pode se confortar com a sensação de que a vida segue seu curso e você não precisa ficar traçando a rota de navegação ao longo da viagem.
Assim, escolher entre ser "local" e ser "estrangeiro" é escolher entre o conforto que se sente quando se tem tudo o que se preza ao alcance, e a liberdade de se poder escolher e redifinir o que se quer a cada parada. É também escolher entre ter a segurança de saber o seu lugar naquele "local" e saber exatamente o que se espera de você, e ter o distanciamento de quem pode escolher se quer ou não fazer parte daquele "local".
O motivo pelo qual estou fazendo essas reflexões sobre os conceitos de "local" e "estrangeiro" é porque quero iniciar uma série de posts esmiuçando melhor o assunto. Acredito que quem entende a diferença real entre ser "local" ou "estrangeiro", e qual deles é mais importante em determinado momento, pode decidir a posição que quer ocupar. E, assim, encontrar uma posição confortável, seja ele um "local" ou um "estrangeiro"
Assinar:
Postagens (Atom)
